Foi numa madrugada qualquer,
em que um beijo tinha um sentido diferente
em que a saudade insuportável fora enfim findada
em que as estrelas, tímidas, arriscaram em aparecer.
Foi numa madrugada qualquer
que as horas não nos importavam
que o coração, sem porquê, acelerava
que Manuel Bandeira fora desenterrado
em troca de uma mão,
de uma boca, de um todo.
Em troca de um sim.
Foi numa madrugada qualquer
que o mundo deixou de ter importância
que as rimas voltaram a me habitar
que a felicidade veio a me acompanhar
Foi numa madrugada qualquer
que eu comecei a dançar,
sem música, no corredor
ah! foi nessa madrugada...
eu passei a acreditar no amor.
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